Pesquisa evidencia protagonismo feminino e desafios na gestão das feiras livres em Minas Gerais

Estudo revela que 85% dos feirantes de Sabinópolis (MG) são mulheres e que a maioria ainda define preços sem calcular custos, expondo fragilidades na gestão financeira da agricultura familiar.
As feiras livres seguem sendo um dos principais canais de comercialização da agricultura familiar no Brasil, mas ainda enfrentam gargalos estruturais que comprometem sua sustentabilidade econômica. É o que aponta o artigo “Feiras Livres e Agricultura Familiar: conectando produção, renda e comunidade em mercados alternativos”, publicado na Revista Orbis Latina.
O estudo analisou o perfil socioeconômico e as práticas de gestão de 20 feirantes vinculados à Associação Comunitária dos Feirantes e Artesãos de Sabinópolis (ACFAS), no município de Sabinópolis, Minas Gerais. A pesquisa utilizou observação direta, entrevistas e questionários aplicados in loco durante dois dias de feira.
Mulheres lideram a comercialização
Um dos dados mais expressivos é o protagonismo feminino: 85% dos feirantes entrevistados são mulheres. Além da forte presença na produção e comercialização, elas também desempenham papel central na organização associativa e na articulação com instituições locais.
A faixa etária predominante está acima dos 41 anos, indicando que a feira é sustentada majoritariamente por adultos e idosos . O perfil revela experiência acumulada, mas também levanta um alerta sobre a sucessão e a renovação geracional nesses espaços de comercialização.
Renda modesta e dependência da feira
A pesquisa aponta que 40% das famílias vivem com até um salário mínimo de renda bruta mensal . Para 12 dos 20 entrevistados, a feira constitui a principal fonte de renda familiar, reforçando sua importância econômica no território.
Além da renda, as feiras cumprem função social estratégica: fortalecem vínculos comunitários, valorizam produtos locais, estimulam práticas agroecológicas e consolidam circuitos curtos de comercialização.
Fragilidade na formação de preços
Apesar da relevância socioeconômica, o estudo identificou fragilidades significativas na gestão financeira. A maioria dos feirantes não realiza cálculo formal de custos de produção, embalagens ou insumos. Os preços são definidos com base em estimativas, observação de colegas ou comparação com supermercados.
Outro dado relevante: 65% dos feirantes não adotam política sistemática de redução de preços, temendo a desvalorização do trabalho. Ainda assim, 55% relatam retornar para casa com produtos não vendidos, o que evidencia desafios na previsão de demanda e gestão de estoques.
Implicações para políticas públicas
Os autores defendem que as feiras livres são espaços multifuncionais fundamentais para o desenvolvimento rural, mas necessitam de políticas públicas voltadas à capacitação em gestão, formação de preços, comercialização e organização produtiva .
A publicação reforça que fortalecer a gestão financeira dos feirantes é condição estratégica para ampliar a eficiência econômica, consolidar os circuitos curtos e garantir maior sustentabilidade à agricultura familiar.
O artigo está disponível na Revista Orbis Latina e pode ser acessado clicando aqui!
Como referenciar esse artigo na norma da ABNT:
GONÇALVES, J. Q. P.; REDIN, E.; MOTA, D. A.; PEREIRA, A. A.; MELO, T. V. Feiras livres e agricultura familiar: conectando produção, renda e comunidade em mercados alternativos. Revista Orbis Latina, v. 16, n.1 p.238-249, jan./jun. 2026. Disponível em: https://revistas.unila.edu.br/orbis/article/view/5688. Acesso em: 01 mar. 2026.
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