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São Sepé estreia na Caminhada Internacional na Natureza e aposta na Rota Italiana para fortalecer turismo rural e agricultura familiar

Primeira edição “Caminhos de Sepé: Rota Italiana” reuniu 220 participantes efetivos entre 249 pré-inscritos, gerou R$ 23.545,00 em movimentação direta e mobilizou 104 pessoas entre organização e comunidade rural, ampliando a presença do PROGEATER na Região Central do Rio Grande do Sul.

São Sepé (RS), 13 de setembro de 2026. Um percurso de 8 quilômetros pela comunidade da Mata Grande, marcado pela herança da imigração italiana e pela força da agricultura familiar, transformou São Sepé, município da Região Central do Rio Grande do Sul, no mais novo destino da Caminhada Internacional na Natureza. A edição “Caminhos de Sepé: Rota Italiana”, com saída em Mata Grande e percurso de esforço moderado por trilhas e estradas de chão, reuniu 220 participantes efetivos entre 249 pré-inscritos. Vinte famílias de agricultores acompanharam o trajeto como anfitriãs ao longo da trilha. O evento resultou em uma movimentação financeira estimada em R$ 23.545,00 e consolidou a presença do município na rede do Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER), realizado em parceria entre a Prefeitura Municipal de São Sepé, a Emater/RS-Ascar e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Mais do que uma atividade recreativa, a caminhada em São Sepé é mais um capítulo de como extensão rural, turismo de base comunitária e valorização da identidade territorial podem convergir em um único evento, com efeitos que vão além do dia de percurso.

Uma vitrine para o turismo são-sepeense

“A nossa caminhada tem sido muito produtiva, muito gratificante. Os caminhantes estão chegando ao ponto de apoio 2, pegando água, pegando banana, pegando maçã, conhecendo mais um ponto de história, que é o Capitel. Para nós é muito gratificante ver esse pessoal feliz, sorridente, acompanhando esse roteiro que ficou tão bonito”, afirma Murilo Becker, Secretário Adjunto de Desenvolvimento, Turismo e Habitação de São Sepé.

“A gente está muito feliz com a caminhada, satisfeito, vendo o campo, vendo os animais, vendo a tradição antiga dos italianos aqui nessa região. Tá muito bom, muito legal, o pessoal tá animado”, afirma o prefeito de São Sepé, Marcelo Ellwanger.

A Rota Italiana: place branding a partir da herança da imigração

A escolha do nome “Caminhos de Sepé: Rota Italiana” não é um detalhe estético. Em marketing de destinos, a narrativa de origem é um dos ativos mais difíceis de replicar por concorrentes, porque está enraizada em um território específico e não pode ser copiada por outro município. O roteiro atravessa a comunidade da Mata Grande, onde a chegada de imigrantes italianos e seus descendentes ajudou a moldar a paisagem rural e a identidade local, marcada pelo trabalho na terra, pela fé e pela permanência de tradições ao longo de gerações.

O percurso reúne pelo menos quatro pontos de memória que sustentam essa narrativa. Um deles é a antiga escola municipal da Mata Grande, referência na história da educação do município e ponto de passagem para gerações de moradores. Outro é o Capitel, erguido como marco da fé e da presença da imigração italiana na comunidade: a localidade já teve uma primeira capela de madeira, construída em 1928, que também funcionou como escola primária, substituída em 1936 por uma capela de alvenaria que segue como referência religiosa. A Casa do Vinho remete à tradição vitivinícola trazida pelos imigrantes, associada ao cultivo da uva e à produção artesanal do vinho como prática que reúne famílias até hoje. Já a Estrada da Colônia preserva o traçado por onde circulavam pessoas, produtos e histórias nos tempos da ocupação rural da região.

“A caminhada de hoje foi de 8 km. Passamos pela paisagem típica do município, que tem uma pecuária forte, com gado. Foi de apreciar a vista, as ovelhas no pasto. A gente passou por uma propriedade também que produz e comercializa vinho, fizemos uma degustação ali. Também tinha vários objetos antigos que as famílias guardam, como máquinas de costura antigas e pilão, onde o pessoal socava o milho. Na segunda propriedade por onde passamos, tem até hoje a primeira escola rural que teve na comunidade da Mata Grande. Uma pessoa local explicou como foi formada essa escola, como era, quando ela iniciou. Foi bem interessante, teve essa explicação para os caminhantes”, relata Monique Chaves, organizadora regional da caminhada, vinculada à Emater/RS-Ascar Regional de Santa Maria.

Ao incorporar essa narrativa ao roteiro físico da caminhada, a Rota Italiana faz o que a segmentação de mercado do turismo de experiência recomenda: transforma um ativo intangível (a memória da colonização italiana) em pontos de parada tangíveis, com tempo de permanência e engajamento do visitante.

Agricultores como anfitriões: extensão rural em ação

O papel dos agricultores familiares como anfitriões diretos do evento é o ponto em que a metodologia de extensão rural se torna mais visível. Vinte famílias de agricultores acompanharam o trajeto na Mata Grande, entre propriedades rurais, áreas de cultivo e criações que formam o cenário da Rota Italiana.

“Em São Sepé, na comunidade rural da Mata Grande, recebendo a Caminhada Internacional na Natureza, um projeto da UFSM em parceria com a Emater, os municípios e as comunidades rurais, estamos recebendo 220 caminhantes, prestigiando um dia bonito, uma paisagem bonita”, relata a extensionista Cristiane Aires, do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de São Sepé.

Agricultura familiar em vitrine: da produção ao consumo direto

A feira instalada ao longo do percurso reuniu 2 agroindústrias, 2 agricultores da linha hortifrúti e 6 artesãos, totalizando 12 pessoas envolvidas diretamente na comercialização. Entre os expositores presentes estavam a Agroindústria Granja Silveira e a Agroindústria Apiários TR, a Associação de Produtores de Hortifrutigranjeiros e os grupos de artesãos Raízes de Sepé e Brick das Mercês.

“Aqui a gente está com a presença da agricultura familiar, nossos feirantes e agricultores comercializando os produtos coloniais e o artesanato, tanto alimentos quanto artesanato, para os caminhantes apreciarem e adquirirem. Além da recepção da comunidade, que está aqui com a gente preparando uma refeição maravilhosa, típica italiana, da nossa rota Caminhos de Sepé: Rota Italiana”, relata a extensionista Cristiane Aires, da Emater/RS-Ascar de São Sepé.

Números que sustentam a narrativa

Para além do relato qualitativo, a primeira edição em São Sepé já apresenta indicadores mensuráveis e consolidados. Dos 249 pré-inscritos, 220 efetivamente percorreram o circuito, taxa de conversão de aproximadamente 88%, considerada relevante pela organização para uma primeira edição no município. Café da manhã e almoço foram servidos por adesão, ao custo de R$ 15,00 e R$ 45,00 por pessoa, respectivamente, e somaram 180 cafés e 295 almoços comercializados ao longo do evento. A movimentação financeira estimada somou R$ 23.545,00, resultado da soma de receitas de café, almoço, copa e feira de agroindústrias e artesanato.

A organização do evento mobilizou 52 pessoas entre representantes regionais e locais (Prefeitura de São Sepé, Emater/RS-Ascar, UFSM, associações e demais entidades parceiras), enquanto outras 52 pessoas da comunidade rural atuaram diretamente na preparação do café, do almoço, dos pontos de apoio e da trilha. A feira reuniu 10 expositores, entre agroindústrias, produtores de hortifrúti e artesãos, com 12 pessoas envolvidas na comercialização.

“Nesse circuito de 8 km, a gente teve dois pontos de apoio, que contaram com água, frutas para os caminhantes reporem as energias, e banheiro. E o carimbo também no ponto de apoio. Também tivemos na nossa caminhada os mascotes do município: um é o Sepezinho, que foi inspirado no índio Sepé, e o outro é o Coração da Saúde”, acrescenta Monique Chaves, organizadora regional da caminhada, vinculada à Emater/RS-Ascar Regional de Santa Maria.

O valor movimentado em uma única edição, somado à mobilização de 104 pessoas entre organização e comunidade rural, sinaliza um modelo de geração de renda descentralizado, no qual o recurso circula dentro do próprio território em vez de se concentrar em intermediários externos, característica estrutural do turismo de base comunitária que o diferencia de modelos convencionais de exploração turística.

São Sepé no mapa da Caminhada Internacional

A caminhada em São Sepé integra o Programa do Geoparque de Assistência Técnica e Extensão Rural (PROGEATER), da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM, desenvolvido em parceria com a Emater/RS-Ascar e prefeituras municipais da Região Central do Rio Grande do Sul. Com os 220 participantes de São Sepé, o projeto Caminhada Internacional na Natureza chega à sua 24ª edição desde a retomada, em 2023, tendo passado por municípios como Cachoeira do Sul, Paraíso do Sul, Mata, São Francisco de Assis e Formigueiro, entre outros selecionados por edital público da Região Central. Somando as edições realizadas entre 2023 e 2026, incluindo São Sepé, o PROGEATER acumula 4.909 pré-inscritos e 3.887 participantes efetivos, com 611 pessoas mobilizadas na organização regional e local e 701 pessoas da comunidade rural envolvidas diretamente na realização dos eventos, além de 200 expositores de agroindústrias e artesanato ao longo de todo o período.

Uma caminhada alinhada à Agenda 2030

O padrão adotado pelo PROGEATER em todas as edições do projeto é conectar cada caminhada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e o que se viu em São Sepé confirma essa aderência em pelo menos cinco frentes, já relatadas nos depoimentos colhidos durante o evento.

ODS 1 (Erradicação da Pobreza) e ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico): a movimentação financeira de R$ 23.545,00 gerada em uma única edição mostra a caminhada operando como mecanismo direto de geração de renda no meio rural.

ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável): a presença de agroindústrias e produtores de hortifrúti na feira reforça a permanência da agricultura familiar no território, reconhecida pela extensionista Cristiane Aires, da Emater/RS-Ascar de São Sepé, na cobertura do evento.

ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis): o entusiasmo relatado pelo prefeito Marcelo Ellwanger ao ver “o campo”, “os animais” e “a tradição antiga dos italianos” reconhecidos pelos caminhantes é, na prática, o indicador social desse objetivo: patrimônio cultural e natural valorizado pela própria comunidade que o habita.

ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis): a comercialização direta de produtos coloniais e artesanato na feira, relatada pela extensionista Cristiane Aires como oportunidade para os caminhantes “apreciarem e adquirirem” o que é produzido pela própria comunidade, ilustra diretamente esse objetivo.

ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação): a arquitetura institucional do evento, UFSM, Emater/RS-Ascar e Prefeitura Municipal de São Sepé atuando de forma articulada, é o modelo que o PROGEATER já replicou em mais de vinte municípios da Região Central do Rio Grande do Sul desde 2023.

O que vem depois da primeira caminhada

O desafio agora para São Sepé é o de qualquer destino em fase de decolagem: transformar um evento pontual em fluxo turístico recorrente. Isso exige investimento em sinalização permanente do percurso, qualificação continuada dos agricultores anfitriões para atendimento ao visitante, formalização de meios de hospedagem e alimentação e construção de um calendário anual que sustente a marca Rota Italiana para além da primeira edição.

Os indicadores da estreia (taxa de conversão de inscritos de aproximadamente 88%, movimentação financeira de R$ 23.545,00 e envolvimento direto de 104 pessoas entre organização e comunidade rural) oferecem uma base concreta para essa próxima etapa. “Essa grande caminhada que tivemos aqui, o pessoal vem apreciando toda a beleza que tem o nosso interior. A gente está muito feliz com essa parceria e espera que tenhamos novas atividades parecidas com essa. A gente plantou uma semente aqui, e a comunidade viu que esse tipo de atividade dá certo. Com saúde e natureza envolvidas, sempre dá certo”, afirma Leandro Gonçalves, Secretário de Desenvolvimento, Turismo e Habitação de São Sepé.

“Só agradecer por esse dia maravilhoso, um dia convidativo. A primeira caminhada Caminhos de Sepé: Rota Italiana foi um sucesso. Muito obrigado a todos que estiveram presentes. Tenho certeza que vão levar lindas recordações aqui do nosso município”, resume Quirmair Corrêa, coordenador da Casa da Cultura de São Sepé.

Para mais informações, os interessados podem acessar as redes sociais do projeto @caminhadasufsm ou na comunidade de avisos do WhatsApp.

Texto: Assessoria de Comunicação do PROGEATER/UFSM
Fotos: Patrik Zeni e Gabriel Hennig Vestena

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