Programa de Fomento auxilia famílias em vulnerabilidade social de Arvorezinha a desenvolverem projetos produtivos
Eu não sabia bem o que fazer, mas tinha um sonho de ter uma estrebaria grande, mais espaçosa, para lidar com os animais. A manifestação da pequena produtora Iraci de Mello Pereira, da localidade de Torres Gonçalves, em Arvorezinha, dá uma dimensão da importância do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, política pública que transfere renda para famílias em vulnerabilidade social ou que convivem em situação de extrema pobreza, com vistas a contribuir para a inclusão, a emancipação social e produtiva e a melhoria da qualidade de vida.
Operacionalizado pela Emater/RS-Ascar, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) do Governo do Estado, o programa destina R$ 4.600,00 para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (com renda de até R$ 109,00 por pessoa), com o objetivo de propor o desenvolvimento de atividades produtivas, com o apoio do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters). E este é justamente o caso de Iraci, uma arrendatária que possui duas vacas de leite, com a produção sendo destinada à elaboração de cerca de quatro quilos de queijo por dia, para o consumo da família, de vizinhos e de amigos.

Acostumada a, diariamente, trabalhar em um espaço não tão amplo ou coberto com telhado que lhe permitisse escapar da chuva ou do sol intensos -, a produtora celebra o resultado. Muitas vezes são pequenas coisas, mas que já nos ajudam bastante, avalia, explicando que o pequeno galpão, cuja construção foi concluída há uma semana, possibilitará não apenas a melhoria na organização da ordenha, mas também a implantação de um cocho para a alimentação dos animais. Fora o fato de que tudo fica mais limpo, com menos barro, ressalta.
A extensionista da Emater/RS-Ascar Rafaela Czermaneski frisa que Iraci é uma das 20 beneficiárias da política pública no município, que tem atendido demandas e buscado perspectivas, especialmente no que diz respeito à produção para o autoconsumo que, em muitos casos, é um gargalo. Aqui, muitos são pequenos produtores de fumo, sendo a ideia justamente estimular a busca por alternativas de cultivo, que lhes forneça ao menos o básico em termos de alimentação, avalia.
É o caso, por exemplo, do casal Fátima e José da Silva, também da localidade de Torres Gonçalves. Na horta implantada no mês de fevereiro, eles têm colhido couve folha e alface. Agora, com a instalação de uma estufa, a intenção é ampliar as variedades, com o plantio de pepino, brócolis, tomates, cenouras e outros, observa Rafaela. A extensionista destaca ainda que os projetos são propostos e construídos, levando-se em conta a realidade de cada família, bem como as preferências. Pode ser um galpão ou uma horta, mas também há espaço para galinheiros, açudes para a colocação de peixes e outros, salienta.
Outro ponto importante do programa é a integração entre os envolvidos de agricultores a entidades, passando por parceiros e lideranças. O que se vê é que, em muitos casos, essas experiências se espalham, o que possibilita o acesso a outros serviços, que atendam outras demandas, analisa a assistente social do Centro de Referência da Assistência Social (Cras), Sonia Baldissera. São famílias que convivem com a invisibilidade, com necessidades diversas, que podem ser desde água ou um banheiro adequado, ou mesmo que precisam de suporte para tratamentos de saúde, psicológicos ou dentários, comenta a profissional.
Nesse sentido, a extensionista da Emater/RS-Ascar Elizangela Teixeira aponta que a pobreza rural pode ter um caráter multidimensional, que vai para além da insuficiência de renda, alcançando a falta de acesso a bens e serviços, a negação de direitos ou o acesso à terra. A respeito desse último tópico, Iraci sonha em adquirir a terra em que trabalha hoje como agregada. É uma ideia que nos deixa motivadas, salienta a filha da agricultora, a jovem Geovana, que acaba de se formar no Magistério e obter um trabalho em uma indústria de Arvorezinha.
Em todo o Estado, o Programa de Fomento, na Etapa Estiagem que é a que está em operacionalização e que foi lançada no primeiro semestre de 2023 -, dez mil famílias devem ser atendidas. Na região de Lajeado, compreendida pelos vales do Taquari e Caí, são 137 famílias de dez municípios, que convivem com a exclusão e que são apoiadas. A ideia do projeto, de acordo com Elizangela, também requer bom senso, uma vez que se trata de cenários de alta complexidade. Nesse sentido, a intenção é construir para além do caráter tecnicista ou econômico, olhando para as múltiplas dimensões de cada integrante, para que a ação possa ser mais efetiva, finaliza a extensionista.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
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