Da sala de aula ao YouTube: 39 lives mostram como a ATER Digital reinventou a curricularização da extensão na UFSM
Em quatro anos, estudantes de Gestão de Cooperativas do Colégio Politécnico levaram 49 lideranças para dentro da universidade, somaram 8.754 visualizações e alcançaram públicos de até 10 estados brasileiros.
E se a extensão universitária pudesse chegar a dez estados sem que nenhum estudante precisasse sair de Santa Maria?
Foi exatamente o que aconteceu.
Desde 2023, a disciplina Extensão e Cooperativismo, do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Cooperativas do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), transformou a exigência legal de curricularização da extensão em um laboratório vivo de Assistência Técnica e Extensão Rural Digital. O resultado é o projeto “Compartilhamento de Experiências em Extensão e Cooperativismo”, que já soma 39 práticas extensionistas transmitidas ao vivo e abertas ao público no YouTube.
A lógica é simples. E poderosa. Em vez de apenas estudar o cooperativismo, os estudantes conversam com quem o faz acontecer.
Os estudantes no comando
O diferencial está no protagonismo discente. Organizados em grupos, os estudantes escolhem uma experiência de cooperativismo ou de extensão rural, convidam quem a vive na prática (dirigentes de cooperativas, extensionistas, agricultoras, educadores), organizam a transmissão e fazem a mediação da live. Depois, toda a turma assiste às práticas e produz resenhas críticas sobre cada uma delas.
Ou seja… o estudante deixa de ser espectador do conhecimento e passa a ser o extensionista que o faz circular.
Coordenado pelo professor e pesquisador Ezequiel Redin, doutor em Extensão Rural, o projeto está registrado na UFSM sob o nº 061812, na área temática de Educação e na linha de extensão Desenvolvimento Regional, com vigência até 2029 e público estimado de 20 mil pessoas, urbanas e rurais. A iniciativa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 4 (Educação de Qualidade) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação).

Números que falam por si
Entre 2023 e 2026, o projeto registrou 39 lives, 8.754 visualizações, 49 convidados da comunidade, 150 participações de estudantes, 573 páginas de resenhas escritas e 55 horas de conteúdo on-line produzido.
Só entre 2023 e 2025, as transmissões acumularam 1.437,9 horas de exibição no YouTube. É o equivalente a quase 60 dias ininterruptos de conteúdo sendo assistido. Em 2023, o público veio de 10 estados diferentes.
O ano de maior alcance foi 2024, com 11 lives e 3.488 visualizações. Em 2026, a turma ampliou sua composição, reunindo também estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, e realizou nove práticas extensionistas cujas visualizações seguem crescendo, já que todo o material permanece disponível.
Um acervo público sobre o cooperativismo brasileiro
Cada live gravada se converte em patrimônio coletivo. O acervo reúne hoje experiências de cooperativas agropecuárias como Copacol, Cotrisel, Coopatrigo, CAMNPAL e CAAL; debates sobre crédito cooperativo e educação financeira no agro; trajetórias da Emater/RS-Ascar e da Anater; iniciativas de economia solidária e inclusão, como CATAMARE, Coostafe e Mulheres do Sertão; além de reflexões sobre liderança, educação cooperativa e o protagonismo das mulheres no cooperativismo.
Somente em 2026, os temas foram de “Somos Coop: experiências que geram valor” à análise do cooperativismo em Unaí (MG), passando pelo case da CAMNPAL, pelo papel da Extensão Rural no desenvolvimento agropecuário da Região Central gaúcha e pelo contraste entre a gestão cooperativa e a lógica das sociedades anônimas.
Por que isso importa para a universidade brasileira
A Resolução CNE/CES nº 7/2018 determinou que as atividades de extensão componham, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação. Muitas instituições ainda buscam caminhos para cumprir essa exigência sem reduzir a extensão a uma formalidade burocrática.
A experiência do Colégio Politécnico da UFSM aponta uma resposta concreta: a ATER Digital como ponte dialógica entre universidade e sociedade. Baixo custo. Alcance ampliado. Conteúdo perene.
“A curricularização da extensão só faz sentido quando o estudante vive a extensão, e não quando apenas estuda sobre ela. O ambiente digital nos permitiu trazer a comunidade para dentro da sala de aula e levar a sala de aula para muito além dos muros da universidade” (Ezequiel Redin).

A lição para o campo
Para quem atua na formação de extensionistas, o recado é claro: a tecnologia digital não substitui o diálogo com a comunidade, ela o multiplica. Quando o estudante organiza, media e sistematiza a experiência, a extensão deixa de ser disciplina e passa a ser prática profissional.
Mais Extensão Rural, é mais conhecimento.
Serviço
Painel completo do projeto
Acervo das 39 lives
Registro no Portal de Projetos da UFSM
Fonte: Portal O Extensionista, com dados do registro do projeto na UFSM, da disciplina Extensão e Cooperativismo (Redin, 2026) e do YouTube Analytics.
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